Eu nunca fiz parte da turma que sonhava quando criança e adolescente com vestido de noiva, igreja, festa. Nunca fui muito de sonhar, assim, sonho mesmo - muito menos dos desse tipo. Não cresci num ambiente doméstico propício a príncipes encantados. Como todo filho único, sempre ouvi muita conversa de adulto e o que eu ouvia não me encorajava a sonhar. Me lembro bem da frase de uma amiga da minha mãe: "a gente acha que casa com o príncipe, mas na verdade, casa com o cavalo do príncipe". Estimulante não?
Ao mesmo tempo, também como todo filho único, sempre tive muito tempo pra pensar. Carrego isso até hoje comigo e gosto. Delma, minha grande amiga de adolescência, sempre me perguntava quando é que eu pensava as coisas que pensava, se era no banho, se era durante as noites insones. Me lembro de ter muita insônia quando criança. E apesar de pensar tanto, nunca entendi esse duelo "mulheres-enganadas x homens-cavalos-e-não-príncipes". Mesmo sem entender, nunca questionei os donos do conflito. Deixei isso pra lá e fui de cá vivendo a minha vidinha. Fui fazendo o que tinha que fazer, estudei, trabalhei, fiz amigos, namorei muito, até que percebi que sempre acreditei no amor. Fui perceber isso bem tarde, lá pelos 27. Eu acho que até essa idade a gente ainda insiste em acreditar nos nossos pais e ao mesmo tempo temos vergonhinha de ser diferente. Acreditamos que eles detém uma verdade eterna, principalmente as nossas mães. Acreditamos que elas são seres mágicos e que por isso podem e sabem tudo. Como se o cavalo do príncipe fosse uma norma, um padrão.
Sempre fui das metas, das vontades, mas não dos sonhos. Ou pelo menos não com esse nome. Ou talvez, nunca admiti que as minhas metas eram na verdades sonhos imensos, os maiores. Talvez também somente por serem sonhos, tive um dia forças para lutar por eles. Nunca ousei chamar as minhas metas de sonhos porque o barato do sonho é sonhar e não conseguir. Sonho é diferente de meta. O tchan do sonho está mais na fruição do sonhar do que na coisa pela qual se sonha. Sonhar é delícia, é prazer. Na minha casa nunca foi muito permitido sonhar, nunca foi bonito sonhar. Se eu fiz, foi caladinha e escondida de mim mesma. Claro, devo ter sonhado muito, mas de verdade não me lembro. Me lembro de ter metas, sonhos disfarçados.
Pela avalanche de acontecimentos dos últimos tempos, não me permiti concretizar sonhos tardiamente sonhados. Final das contas, hoje eu entendi que eu queria muito muito muito muito ter tido um casamento ao algo do tipo no Brasil, com festa, amigos, banda e família tudo junto e misturado. Quando dei por mim que queria isso assim, de verdade, já era tarde demais. Outras coisas passaram na frente, inclusive a novidade, pra mim mesma, de querer isso. De um jeito ou de outro, não me casei com o cavalo do príncipe e continuo achando que meu casamento como foi tem mais a minha cara e de Moinul. Ah, e me casei com ele, o Moinul mesmo, e com todo o pacotinho dele. Ele não é um príncipe - a monarquia já acabou. Mas é a melhor pessoa que conheço, a mais íntegra, a mais leal, a ele e aos outros. No dia em que nos casamos, no papel,foi totalmente diferente do que a gente imaginava. Ops, na verdade não imaginamos nada - não deu tempo! E nesse dia, que passou como um foguete, tive muitas provas do que é real e bom e daquilo de que de fato temos que nos lembrar e levar em conta.
Vou me lembrar pra sempre que os pais do Moinul (que vivem separados há mais de 15 anos e têm até hoje uma relação complicada) vieram de Berlin de surpresa. Saíram de lá às 7 da manhã (o que significa sair de casa às 5 da manhã) e bateram na nossa porta às 8. Mamazinha (é assim que chamamos a mãe do Moinul) comprou no dia anterior um monte de flores e não sei como trouxe tudo no avião. A minha admiração por esse feito, que pode parecer pequeno mas não é, é assunto pra páginas e páginas, prefiro deixar pra depois. Quando chegaram, achei que fosse o correio. Não era, eram os dois, iguais a dois coleguinhas. Foi lindo.
Vou me lembrar sempre de Nívea, nossa tradutora, carioca mais que porreta, emocionadíssima, revivendo o casamento dela no mesmo lugar há 24 anos atrás. Ela se esquecia das palavras em alemão e pedia que a oficial repetisse de novo. Aí esquecia a palavra em português e lá do fundão gritava minha sogra: "paixão"! Foi lindo assistir a união da família Haque de novo. Depois das devidas assinaturas, na linda sala do Römer, fomos comer pão de queijo e tomar pingado, suco de maracujá, de carambola, na loja da Nívea. Mamazinha tava cansada, Moinul exausto. Baba precisava botar as perninhas pra cima. Eu tava elétrica e fui com Tia Ann e Robertinho comer fritas e bife. Na verdade eu tomei uma sopa. De tardezinha fomos pra Sachsenhausen, um bairro de Frankfurt, no Restaurante 360°, jantar com amigos brasileiros, recém feitos. Rafael, Andreas, Mário, Georg, Tati, Analu, Kai e Julia. Ganhamos tantos abraços apertados! Às 8 da noite Mamazinha e Baba voltam pra Berlin. Mamazinha jura que tá de pilequinho após uma única taça de vinho. O gerente do restaurante nos deu um espumante.
Desculpem-me pela bagunça das fotos... não consigo arrumá-las de jeito nenhum!
ReplyDeletecasamento mais lindo! sincero, autêntico, sem pretenção maior do que ser um casamento. será a moda minimalista? ou apenas pegar a essência e jogar o resto fora? e festejaremos no próximo encontro multinacional em que todos os Queridos Amigos estarão presentes.
ReplyDeleteChorando copiosamente... Nunca li nada tão real e tão lindo!! Vou correndo ouvir "o mundo anda tão complicado" (Renato Russo) ou então "E o mundo lá, sempre a rodar, em cima dele tudo vale! Quem sabe isso quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer..."!!
ReplyDeleteApenas isso!
Parabéns, amiga linda!
Raquel (c)
Ai. Chorei.
ReplyDeleteDona Pata
Pris,
ReplyDeleteHoje passei no salão onde faço minhas unhas na hora do almoço.
A minha manicure, também Carol, é muito especial.
Tem uma cultura e um gosto refinadíssimo pra música (pelo menos eu acho kk).
Estavam lá ela e o irmão. O irmão no violão e ela cantando. Muito lindo.
Bem, o ponto disso tudo é a música que eles cantavam: "Pra sonhar" (Marcelo Janeci).
Cheguei no escritório e fui ouvir a música no you tube. O clipe é lindo!!!
Achei a cara do seu casamento.
Não sei se você já conhece. Se não, vale a pena dar uma olhadinha.
Bjs com saudades.
Dona Pata
Oi Carol, vou ver sim! Desculpe não ter respondido antes, correria. Vou olhar agora! Beijocas Dona Pata!
ReplyDeleteCarol, a coisa mais linda! Ah nein viu! Snif! Amei amei amei!
ReplyDeleteÔ Pris, cadê vc?? Eu venho aqui só pra te ver!!!
ReplyDeleteSaudades!!
Raquel