March 28, 2012

Um amigo disse assim...

"... sim, a gente não sabe de nada!
mas constrói com linhas cegas,
uma casa invisível."

March 27, 2012

Cidadinha semi-medieval

Então, amenidades! Nada de contar da mulher chata e sem-ducaçona que não abre a boca pra falar e reclama que é você quem não fala direito! =D

Hoje é dia de conto de fadas, sol, primavera e castelo.
Fomos ontem num passeio fofinho. Numa cidadinha ex-medieval chamada Königstein (Pedra do Rei). A cidadinha tem ruinhas muito estreitas com casinhas de boneca onde moram gente de verdade! Muita coisa deve ter sido reconstruída, mas me parece que boa parte do traçado da cidade permaneceu o mesmo. Pelo menos a parte mais antiga, que parece um feudinho, com portal e tudo. Acho que pode até ter havido uma ponte elevadiça. Acho que nunca escrevi isso: p-o-n-t-e  e-l-e-v-a-d-i-ç-a. 

O mais bacana foi ver as ruínas do castelo. Eu nunca tinha ido num, então fiquei mega imaginando onde eram as masmorras, onde era o grande salão, donzelas escondidas, cães raivosos. Muito lindo lá. Pra quem vier me visitar e tiver na wibe krull/willow é um bom passeio. Em uma horinha de trem se chega lá. E claro, lá tem uma padaria mára com o melhor chocolate quente de Hessen! 

Postei algumas fotinhas. Na última delas tem meu muso inspirador, só que de costas <3.  







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March 22, 2012

Waffle de maçã e mel sem pregos


Hoje foi um dia estranho. Acordei meio mais ou menos, dormi demais. Fiquei uns 20 minutos imóvel. Sabe aquele imóvel oco, sem mexer e sem pensamentos? Quando a cama está quentinha, eu fico ainda mais imóvel e mais inerte. Estou dormindo demais, redescobrindo como é dormir e como é bom. Ao mesmo tempo, não estou acostumada a dormir muito. Acordo achando que "the day is lost", como diz o sogro. Enrolei, enrolei, enrolei, meio assim sem eira nem beira. Não consegui sair da frente do computador, mas ao mesmo tempo não fiz nada. Não respondi emails, não escrevi, não procurei coisas que precisava, não preparei o almoço, fiquei só vendo imagens e passando por sites sem ler nem ver nada. Pensamentos ruins. Não queria encontrar ninguém, mas também não queria ficar sozinha. Eu sabia que eu tinha que fazer alguma coisa útil que me preenchesse a tarde antes de encontrar Moinul, pois não dá pra descarregar um dia inteiro de não-pensamentos, não-conversas e não-coisas no pobre. Não é justo e nem bom. 

Depois de muito muito tempo, tomei um banho e saí. Decidi ir comprar pregos pra fixar coisas na parede. A furadeira os vizinhos têm. Olhei no mapa, e vi que podia ir pra Konstablewache, uma praça grande com muitas lojas em volta. Lá também tem muitos caras de jaqueta de napa e calça coladinha. Lá fica a Conrad, tipo as Lojas Americanas só de prego, tomada, extensão, furadeira, bucha, trena, lâmpada, fio, adaptador. Achei que colocar coisas na parede ia ser uma boa, pois a casa vai pegando o jeito da gente aos poucos. Eu, na minha ansiedade que finge ser esperteza, não fico um só dia sem pensar se deveria comprar absolutamente tudo que vejo na frente para a casa nova. Essa ansiedade é colega dessa outra: imagino estratégias para aprender a língua, do tipo "hoje vou ler todas as placas e anotá-las, e decorá-las e..." Tentando ir de Maclaren onde o chão é de brita. 

Moinul, planejador (e ainda engenheiro) tem planilhas com créditos e débitos e colunas para as passagens aéreas e despesas futuras de casamento (que casamento?onde?quando?). No balancete final, um sofá está fora das compras atuais. Eu, ansiosa, quero um sofá. Sei que não é sofá que traz felicidade, mas também sei que eu quero me sentar hoje e não amanhã. Não preciso de um sofá. Mas a ansiedade quer tudo prontinho, arrumadinho, como se a vida pudesse ser assim, igual sala de estar - onde você só está, mas não faz nada. 

Mas então, meu primeiro amigo em Frankfurt, Florian, que é sociólogo, quer ser professor universitário e é muito caxias, me liga no caminho pra Conrad. Eu falo pra ele que precisava comprar pregos e digo que em duas horas a gente poderia se encontrar. Quando subo da estação, na tal praça com muita loja em volta, o lugar estava repleto de bancas de comidas e bebidas e flores e frutas. Havia uma feira com muita gente e muitos cheiros e andanças pra cá e pra lá. Fui na Conrad e eles só vendiam muitos pregos juntos. Eu não precisava de tantos. Afinal, nem são tantas coisas assim. Nessa hora eu não precisava de pregos e nem de sofás. Eu só queria voltar pra rua e ficar lá. E ligar pro Florian e falar pra ele vir agora, já, pra gente comer um pão e tomar um café ralo juntos. E foi isso que aconteceu. Conversamos um monte e ele ficou falando do trabalho dele, que é ficar lá analisando as pessoas. Ele conhece o Brasil e como todo sociólogo adora generalizar. Puxei a orelha dele, mas no final tive que ouvir quietinha que o brasileiro quer tudo pra já, só vive o presente, sem pensar muito no futuro. Não é de planejar e quer desfrutar o hoje. Não sei muito bem como não é viver assim. Tanto é que, como não planejei o dia, pude ir com ele até a estação central e ele achou um avanço eu mudar os meus planos (que eu nem tinha) para o acompanhar até lá. Foi ótimo, pois assim pude esperar pelo Moinul e ainda pegamos o resto da feirinha. Só sei que no final não tenho nem sofá, nem pregos e nem as coisas na parede - ainda




March 20, 2012

Músicos de rua





Aqui chega gente de tudo quanto é lugar da Europa. Por causa disso, eu posso egoisticamente, sem pensar no resto, me deliciar. Os homens tem cor-de-poeira-vermelha e olhos verde-amarelos. Acho eles lindos. Estão por toda parte, vestindo jaqueta de napa e calça coladinha. São músicos e outras coisas. Sempre pago a gorjeta e assisto ao show. 

March 17, 2012

Matemática

Não quero entrar na onda das comparações rasas e muito menos de erguer a bandeirinha morna do "na Alemanha, isso funciona assim, assim e assim..." Que saco. E falo isso porque essa frase é, na minha lista  Top 5 Bad Things in Germany , a número 1. Tem um povinho aqui que tem mania de te falar isso, num tom quase catedrático, como se estivesse dando uma aula quando você faz uma coisa errada, ainda que por engano.

Mas voltando ao assunto (as Top 5 Bad Things in Germany vêm outro dia), apesar de eu evitar, as comparações são inevitáveis. Mas não penso que elas sirvam para encher um ou outro caderno de estrelinhas. Acho somente que elas sejam boas pra gente pensar... e conversar. E sei lá... não dá pra não pensar. 

A experiência de sair à noite de bicicleta (sair à noite = tomar uma cerveja num bar simples, jantar na casa de alguém ou ir numa balada mesmo) é interessante. Moinul e eu saímos de casa SEMPRE de bicicleta porque o caminho até a estação é infinitamente mais rápido de bicicleta. Esse infinitamente é exagero, são só 4 minutos a mais. Mas é que a garantia, a certeza de dormir mais um pouquinho de manhã ou sentir menos frio quando na volta pra casa é irresistível. Não é pela quantidade de tempo, mas pela qualidade do que se faz ganhando mais 4 minutos. A pé de casa para a nossa estação gastamos 7 minutos e de bicicleta é num instante, 3 minutos! Eu nunca tinha me importado antes com 4 minutos para nada. Sim, porque 4 minutos a mais ou a menos quando o trajeto, ou a demora no consultório é de 40 minutos, são só 1/10. Mas agora, 4 para 7 é mais de 50%!!!! Aí quando se chega na estação, a gente tranca a bicicleta num poste e vai pra onde for de trem. E caminha, e pega o tram, e pega o ônibus, e chega no lugar que se quer. Sabendo que na volta, a amiga vai estar lá esperando a gente, pra menos 4 minutos de frio ou 4 a mais de sono.

Bom, estou falando tudo isso pra contar que eu comecei a fazer contas de quantos minutos se ganha na semana com esses benditos -4. Moinul, por exemplo, que vai e volta do trabalho todo dia, ganha 40 minutos! Isso sem contar o trajeto de bicicleta entre a estação de trem do trabalho e o escritório. A amiga-bike vai no trem com ele, gracinha. Então, contando as duas pontas do percurso, os 40 minutos por semana são pelo menos 80. 80 minutos é a academia, ou a ioga, ou o curso de dança que eu não tinha tempo de fazer em BH... snif. 





March 14, 2012

Tô verde

Nos últimos dias eu fiquei totalmente tomada pela preparação de burocracias mil. #NEM EU AGUENTO MAIS O MEU PAPINHO. Todo mundo me pergunta: "e aí, tá rolando?" E eu respondo começando com uai (odeio): "UAI, rolando tá, mais ainda falta o certificado da parafuseta do curso de alemão, e uma carta de aceite do irmão do joaquim e aí depois eu tenho que submeter um formulário online e só aí eu vou ter um código.... da cópia autenticada do c* do judas"... tsc tsc tsc 


Fora o ambiente da mesa de trabalho, com farelo, fio de cabelo, copo xujo, necessaire?!, dicionário, 8734 folhas soltas, cabo do celular, cabo do hd externo, cabo do carregador, cabo da p*** *** *****.... 




E o pior é que tenho a sensação que isso tem meses. Bem, na verdade tem mesmo. Semi-final das contas (ainda não acabou não viu gente!), com a ajuda do trio Rod , Barbarela e Paty, tudo será encaminhado em tempo. Obrigada de novo gente. Entendi por que essa p**** se chama DEADline. É porque você fica DEAD, meio verde/descabelada, tipo eu agora. 


De fato, o cabelo tá bom não. Além de sem corte, está oleoso na raiz e com aura ao mesmo tempo .... vai entender. Para curar essa peleja, comprei batatas-junkie no meu podrão favorito (algumas pessoas já conhecem). Explico. O nome do estabelecimento é "frango da batalha diária", ou algo assim.... Mais oportuno não há.  




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March 12, 2012

Então...

Número 1: tenho que pedir desculpas pelo sumiço. já completam duas semanas que cheguei e até agora não tive tempo de escrever, salvo um "like" aqui ou um comentáriozinho ali no facebook. De fato, foram duas semanas esquisitas, mas boas, talvez meio tortas. É que dessa vez eu não estou de férias... não é"estadia" mais, é "moradia"! As coisas mudam um bocado. Tenho muitas coisas pra contar e quero muito ouvir. Espero ser mais assídua nas histórias e que possamos juntos trocar ideias, refletir e sobretudo, nos divertir. 


Em troca do perdão de vcs, segue uma foto da minha janela neste momento. Está fazendo um solzinho amigo e uns 12 graus.  Eu e Moinul moramos num bairro chamado Rödelheim. Tem muitas casas que parecem de uma família só, mas não são. Tem muitos gatos e crianças. Quase atropelei um (gato!) de bicicleta. Diz Moinul que aqui "é tipo o Prado" de Frankfurt. Ele de certa forma tem razão :)


Beijos pra vcs e boa semana!