Tô chegando amanhã....
este blog é um jeito fácil e prático de compartilhar meu dia-a-dia em frankfurt com meus amigos. espero que gostem e que também compartilhem um pouco da sua vida comigo! tschüss!
April 30, 2012
April 26, 2012
Um livro de boas vindas é dado de presente aos recém-chegados moradores de Frankfurt que se registram na cidade. Por exemplo: se eu matar alguém, a polícia vai saber onde eu moro e é lá onde vão me procurar. Com esse registro, posso burocraticamente existir, abrir conta em banco e solicitar a tal residência permanente, que é o que preciso para ficar aqui. Não é um CPF nem um visto, é uma eAT (eletronic residence permit). O curioso é que dentre as tantas perguntas do formulário para solicitar a moradia permanente, há o principal a ser preenchido. No meu caso, vou marcar o “x” no item Familiäre Gründe, uma expressão que quer dizer “razões familiares”. Eu, estudante do novo idioma, só penso na etmologia das palavras, muito incentivada por minha sogra, meu Google Translator - Thesaurus Oxford pessoal. Ela também adora fazer conexões entre vocábulos. Em alemão isso ajuda muito, pois torna as palavras gigantes o meu menor problema com a língua, além de ser muito divertido. Enfim, o caso é que o verbo gründen significa “estabelecer”. Marcar o "x" é literalmente escolher, dentre outras opções, “estabelecer uma família”. Que responsabilidade. Dá um medão, dá várias coisas ao mesmo tempo. Dá inclusive, um risinho no canto da boca e uma vontade oculta, agora revelada, de ficar pesquisando nomes de crianças na internet. O fato é que, na vida prática, marcamos o “x” a toda hora, a todo o momento, às vezes sem pensar e sem nos darmos conta. Só que ontem esse “x” magicamente se materializou na minha frente, sobre uma mesa de atendimento ao cidadão, depois de uma fila enorme e senha 1127. Pensei até em comprar uma caneta nova para esse “x”, tão especial. Afinal, canetas são muito importantes. Suas cores e tipos de traço revelam muito sobre as pessoas e seus “xizes”.
Quantos “x” eu já marquei sem pensar, só chutando pro gol. E quantos eu também deixei de marcar e deixei tudo em branco. Eu e todo mundo, claro, não falo só de mim. Deixar em branco é péssimo, melhor reclamar com o chefe da repartição que não tem formulário adequado pra você. Se foi gol ou não, não importa, mas seria interessante e no mínimo alegre, se pudéssemos sempre tirar aqueles 2 minutos pra admirar os “xizes” e sobretudo nos orgulharmos deles. Dar o risinho de lado.
Quem teve a ideia de dar esse livreto para os recém-habitantes é um gênio. O cara pode até ser mal intencionado e o tal livreto ser um pirulito que adoça, mas não alimenta. Fato é que não há sensação melhor do que sair do tal órgão público empunhando seu papelzinho de registro ainda mais com um presente de boas vindas!!! Não há alegria e emoção maior! Quase chorei e quase abracei a atendente. Aí imediatamente depois fiquei rindo de mim, por estar tão feliz de ganhar o singelo regalo. O livrinho se chama Ei Gude, até onde eu entendi uma expressão típica regional, talvez dos tempos mais antigos, que quer dizer “seja bem vindo”.
April 24, 2012
April 17, 2012
Viele Sachen, Um tanto de coisas.
Claro que tem mais comida e mais gente. Sushis gigantes, colegas do curso e o professor príncipe. Mesa de páscoa e a exposição do Gehard Richter em Berlin. Meu quadro escolhido para a aula de alemão, que diz bem um monte de coisas sem precisar escrever, meu favorito do Escher. Primavera chegando e eu cortando o cabelo numa biboca de Rödelheim - que bom que cabelo cresce e que tenho tesoura e espelho em casa. Parte boa, ganhei um cappuccino da cabelereira. Celebração de Páscoa dos africanos da Eritréia, bem no centro de Frankfurt no sábado passado.
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April 10, 2012
Deutschekurse
Percorrendo o caminho usual dos estrangeiros na terra nova, me matriculei num curso de alemão. Hoje faz uma semana que as aulas começaram. Meu curso é uma espécie de intensivão, com aulas diárias de três horas e meia de duração. Meu curso fica no meu bairro e assim, pude economizar o dinheiro do ticket mensal de transporte, amei. Dei muita sorte, depois de ter dado um azar danado. Geralmente, quem chega aqui vai logo pra Volkhochschule, uma escola para adultos, onde há aulas de dança, business english, culinária, tudo o que quiser, hindi, chinês, português. Lá é o INPS das escolas de idiomas e afins. Filas gigantes e gente do mundo inteiro, sem saber falar nem uma palavra, muitos expatriados e exilados que precisam fazer a tal da "integração". Um mistério esse país abrir as pernas pra tantos estrangeiros. Está certo que sem os turcos, os alemães não comem, não lavam o carro e nem vão ao supermercado, mas isso é pouco. A coisa não é por aí. Há algo que ainda não consegui entender de verdade. Enfim, o fato é que eu fiquei uma tarde inteira na Volkhochschule pra no final, aos 47 do segundo tempo, saber que não havia mais vagas. Lá é meio longe e voltei adordoada, já que em apenas uma tarde, você é registrado e passa por uma espécie de triagem, que inclui uma prova com 80 questões de múltipla escolha e cinco de escrever, além da matrícula/entrevista final. Tudo-ao-mesmo tempo-agora. Esse dia foi o dia da chamada quase-sorte ou, ao contrário, do quase-azar. Voltando de lá, vi que tinha perdido a cópia do meu passaporte. Eu aproveitei para tirar um xerox do original e, de tão lerda, quase esqueci-o dentro da máquina. Depois de 80 questões, eu mal sabia descobrir o caminho pra casa, quanto pior manusear uma máquina de cópias automática. Um moço bonzinho me salvou: "hey, você não esqueceu seu passaporte aí dentro?". Respondi: "my angel". Aí, voltei pra casa borocoxô, mas com uma esperança desesperançada da coisa se resolver no dia seguinte. Foi quando fui parar na Lehrerkooperative (Cooperativa de Professores), no coração de Frankfurt. Sem vagas. Aí fui na Berlitz - uma fortuna. Passei na biboca brasileira pra tomar um pingado e foi lá que fiquei sabendo do Zentrum, minha escola, bem aqui no meu bairro, atrás da estação de trem. Na volta pra casa, fui até lá e enfim, uma lindeza. Talvez pela peleja de arranjar o curso, amo a escola. Além do mais, vou de bicicleta e faço comprinhas na volta, vou aos correios, esperando a primavera que nunca chega. Ou chegou e sou eu que não entendi que é assim mesmo.
De novo, confirmo: adoro escola, colegas e professor, intervalo, merenda e dever de casa. Minha escola tem até uma máquina de café, que tem um ótimo chocolate quente por uma pechincha: 50 centavos. Tenho dois professores. Funciona assim: a primeira metade da tarde é com um professor e a segunda metade é com o outro. Eu odeio o primeiro, um velhinho chamado John que nunca troca de roupa - incluo calça, blusa, suéter e meias, e tem voz de locutor. Ele fala rápido demais e acho que no fundo debocha da gente. Pra mim, ele tem verdadeiro prazer em pronunciar o nome das chinocas errado. Ele nunca abre uma discussão, não dá tempo pra processar. Longe de mim querer disputar com a língua dele, mas tem coisas que precisam ser questionadas para serem entendidas. Com ele, é o que é - ganhou a minha antipatia. Meus colegas também não gostam dele: "the Gestapo guy". Os colegas são umas peças. Tenho inclusive que tomar cuidado para não me distrair com suas roupas, unhas, cabelos e jeitos, estojos, cadernos, jeitos de anotar e esquecer da aula. Ninguém é punk ou tatuado. Todo mundo muito normal e de tão tipicamente normais aos seus lugares de origem, me apresentam assim tão cheios de mistérios e me interessam tanto.
Eu fiz questão de decorar os nomes, pois são emblemáticos! A turma é grande e, por isso, trabalhamos muito em duplas. Minha dupla é sempre Xao, uma chinoca muito porreta, extremamente eficiente, inteligente e rápida. Ela me ensina muito e tem um super dicionário chinês-alemão-inglês no ipod. Além de Xao, há outra chinoca, a Liu, que não fala coisa nenhuma de nada, coitada. Foi um custo pra perguntar pra ela onde ela corta o cabelo. E pior ainda pra entender. Quem sofre é o partner dela, Josí, um español (olééé!) do país basco meio classe trabalhadora - bem mulheres, tirem suas próprias conclusões. Além desses, tem minha super chegada Senka, um mulherão da Croácia, que estuda filosofia e vem pra aula super maquiada com sombras mil e tem raiz preta no cabelo de uns 5 cm. A mulher é um foguete, fala italiano lindamente... Ela é a melhor da classe, apesar do sotaque balcânico carregado. Ela sempre faz dupla com Enrico, o venezuelano que fala alemão com sotaque espanhol terrível - esse só posso imitar ao vivo. Enrico tem nome de novela mexicana, tipo Enrico Miguel, ou algo do tipo, e apesar de sotaquento é muito inteligente. Tipo da minha idade, engenheiro mecânico. Além desses, tem o Vijay, do Nepal; o Usama da Tunísia; uns três japas mega eletro-equipados que acabaram de chegar; uma camaronense super inteligente chamada Christie <3; uma dupla de jovenzinhos que querem curtir a vida - Yenes e David, da Holanda e da Eslováquia, respectivamente. E, finalmente, o cara da palestina, Mohamad e o americano ex-soldado no Iraque, Aaron. Só pra constar, porque também tive dúvidas, Palestina não é Israel - se eu falar isso o menino não vai gostar! Palestinos são os árabes - lembram do Yasser Arafat? Então, ele é de Hebron, menor que Divinópolis, capital da Cisjordânia. Não preciso explicar que o Mohamad começou devagar mas é um gentleman e usa camisas sob o suéter magrelinho. Calado, sóbrio, na dele e muito esforçado. Veio pra Alemanha pra estudar Medicina. O americano só sabe falar que gosta de country music e baseball - desculpem gente, não desceu. Ele insiste em falar Derrrrrrr, Wirrrrrr. Ahhh, que pôxa! Se Xao, uma chinoca com problemas de dicção dá o melhor de si para falar direito, faça-me o favor!
O segundo professor é o príncipe encantado da turma. O cara nasceu pra ser professor. Tão delicado... ele faz a aula no nosso compasso - e assim, rende tanto! Passa num minuto. Ele é esperto, extremamente observador e perpicaz, além de poliglota. Quando não tem como entender uma coisa nem em inglês, ele simplesmente sabe a palavra na língua de quem estiver ali. Um mistério. Visualizo ele com duas filhas e uma imensa biblioteca. Ele é magrelo de doer e tem um sofrimento nos olhos. Sua nacionalidade é indecifrável.
Fico pensando quem são essas pessoas, quem são os seus amigos e seus pais, se têm irmãos. As chinocas provavelmente não. De quê elas tem medo? Fico imaginando quanto dinheiro tem na sua conta bancária ou que tipo de música ouvem. Se estão tristes ou felizes. Se tomaram banho antes de vir pra aula. Se sentem falta do seu país ou se é um alívio estar aqui. A escola é território neutro, um dos poucos dos quais eu já pude experimentar. Não interessa o que você é ou deixou de ser, se é bonito ou feio, rico ou pobre. Nessa horas vale o que você é no presente, naquele segundo ou nos cinco minutos da tarefa em dupla. E pra isso, precisa de pouco. Estou me contentando com esse pouco e não sei se isso é bom ou ruim. Observo muito o jeito de meus colegas se portarem. A humildade e o respeito de Mohamad com a aula e os colegas e o jeito debochado de Aaron... o que me irrita profundamente. A delicadeza de Usama e o francês de Christie posso ouvir pra sempre. Essa é outra que sempre confronta o professor chato. As chinocas são uns chaveirinhos, principalmente Xao, que sempre é minha partner. Ela tem a minha idade e era professora de inglês em Xangai. O melhor de tudo foi, mesmo sem saber miudezas sobre cada um, descobrir que vários deles, senão a maioria, vieram para a Alemanha por causa de seus amores, suas mulheres e maridos. Até com o Aaron foi assim. É, minha gente, será que no final das contas o amor é o que move o mundo?
De novo, confirmo: adoro escola, colegas e professor, intervalo, merenda e dever de casa. Minha escola tem até uma máquina de café, que tem um ótimo chocolate quente por uma pechincha: 50 centavos. Tenho dois professores. Funciona assim: a primeira metade da tarde é com um professor e a segunda metade é com o outro. Eu odeio o primeiro, um velhinho chamado John que nunca troca de roupa - incluo calça, blusa, suéter e meias, e tem voz de locutor. Ele fala rápido demais e acho que no fundo debocha da gente. Pra mim, ele tem verdadeiro prazer em pronunciar o nome das chinocas errado. Ele nunca abre uma discussão, não dá tempo pra processar. Longe de mim querer disputar com a língua dele, mas tem coisas que precisam ser questionadas para serem entendidas. Com ele, é o que é - ganhou a minha antipatia. Meus colegas também não gostam dele: "the Gestapo guy". Os colegas são umas peças. Tenho inclusive que tomar cuidado para não me distrair com suas roupas, unhas, cabelos e jeitos, estojos, cadernos, jeitos de anotar e esquecer da aula. Ninguém é punk ou tatuado. Todo mundo muito normal e de tão tipicamente normais aos seus lugares de origem, me apresentam assim tão cheios de mistérios e me interessam tanto.
Eu fiz questão de decorar os nomes, pois são emblemáticos! A turma é grande e, por isso, trabalhamos muito em duplas. Minha dupla é sempre Xao, uma chinoca muito porreta, extremamente eficiente, inteligente e rápida. Ela me ensina muito e tem um super dicionário chinês-alemão-inglês no ipod. Além de Xao, há outra chinoca, a Liu, que não fala coisa nenhuma de nada, coitada. Foi um custo pra perguntar pra ela onde ela corta o cabelo. E pior ainda pra entender. Quem sofre é o partner dela, Josí, um español (olééé!) do país basco meio classe trabalhadora - bem mulheres, tirem suas próprias conclusões. Além desses, tem minha super chegada Senka, um mulherão da Croácia, que estuda filosofia e vem pra aula super maquiada com sombras mil e tem raiz preta no cabelo de uns 5 cm. A mulher é um foguete, fala italiano lindamente... Ela é a melhor da classe, apesar do sotaque balcânico carregado. Ela sempre faz dupla com Enrico, o venezuelano que fala alemão com sotaque espanhol terrível - esse só posso imitar ao vivo. Enrico tem nome de novela mexicana, tipo Enrico Miguel, ou algo do tipo, e apesar de sotaquento é muito inteligente. Tipo da minha idade, engenheiro mecânico. Além desses, tem o Vijay, do Nepal; o Usama da Tunísia; uns três japas mega eletro-equipados que acabaram de chegar; uma camaronense super inteligente chamada Christie <3; uma dupla de jovenzinhos que querem curtir a vida - Yenes e David, da Holanda e da Eslováquia, respectivamente. E, finalmente, o cara da palestina, Mohamad e o americano ex-soldado no Iraque, Aaron. Só pra constar, porque também tive dúvidas, Palestina não é Israel - se eu falar isso o menino não vai gostar! Palestinos são os árabes - lembram do Yasser Arafat? Então, ele é de Hebron, menor que Divinópolis, capital da Cisjordânia. Não preciso explicar que o Mohamad começou devagar mas é um gentleman e usa camisas sob o suéter magrelinho. Calado, sóbrio, na dele e muito esforçado. Veio pra Alemanha pra estudar Medicina. O americano só sabe falar que gosta de country music e baseball - desculpem gente, não desceu. Ele insiste em falar Derrrrrrr, Wirrrrrr. Ahhh, que pôxa! Se Xao, uma chinoca com problemas de dicção dá o melhor de si para falar direito, faça-me o favor!
O segundo professor é o príncipe encantado da turma. O cara nasceu pra ser professor. Tão delicado... ele faz a aula no nosso compasso - e assim, rende tanto! Passa num minuto. Ele é esperto, extremamente observador e perpicaz, além de poliglota. Quando não tem como entender uma coisa nem em inglês, ele simplesmente sabe a palavra na língua de quem estiver ali. Um mistério. Visualizo ele com duas filhas e uma imensa biblioteca. Ele é magrelo de doer e tem um sofrimento nos olhos. Sua nacionalidade é indecifrável.
Fico pensando quem são essas pessoas, quem são os seus amigos e seus pais, se têm irmãos. As chinocas provavelmente não. De quê elas tem medo? Fico imaginando quanto dinheiro tem na sua conta bancária ou que tipo de música ouvem. Se estão tristes ou felizes. Se tomaram banho antes de vir pra aula. Se sentem falta do seu país ou se é um alívio estar aqui. A escola é território neutro, um dos poucos dos quais eu já pude experimentar. Não interessa o que você é ou deixou de ser, se é bonito ou feio, rico ou pobre. Nessa horas vale o que você é no presente, naquele segundo ou nos cinco minutos da tarefa em dupla. E pra isso, precisa de pouco. Estou me contentando com esse pouco e não sei se isso é bom ou ruim. Observo muito o jeito de meus colegas se portarem. A humildade e o respeito de Mohamad com a aula e os colegas e o jeito debochado de Aaron... o que me irrita profundamente. A delicadeza de Usama e o francês de Christie posso ouvir pra sempre. Essa é outra que sempre confronta o professor chato. As chinocas são uns chaveirinhos, principalmente Xao, que sempre é minha partner. Ela tem a minha idade e era professora de inglês em Xangai. O melhor de tudo foi, mesmo sem saber miudezas sobre cada um, descobrir que vários deles, senão a maioria, vieram para a Alemanha por causa de seus amores, suas mulheres e maridos. Até com o Aaron foi assim. É, minha gente, será que no final das contas o amor é o que move o mundo?
A gente não quer só comida? Quem?
Comer é a coisa que mais gosto de fazer na vida. Não importa qual, nem onde e nem o preço. Com direito a pão de queijo e feijão preto, que não posso ficar sem ferro. =p
Quando subi na balança vi que berimbau não é gaita. Não foi funny. Dispensei explicações e postei fotos. Vocês entenderão...
April 02, 2012
Podia não ter sido, mas foi. Oba.
Há várias categorias para a imprevisibilidade. Há as coisas que deveriam ter sido, mas não foram; há aquelas que graças a Deus não aconteceram; há aquelas que ainda bem que aconteceram e, felizmente, há as coisas chamadas surpreendentes: aquelas que jamais aconteceriam, mas aconteceram. Para mim, essas são as melhores.
De fato, a ocasião faz o ladrão: dificilmente uma arquiteta mineira, um biomédico pernambucano e um engenheiro paulista, de idades, gostos e vivências completamente diferentes conversariam por quase 8 horas seguidas se não estivessem aqui. Pode até ser clichê, não ligo. É de verdade. Eles não são meus amigos de infância, não sabem de onde eu vim e nem me conhecem direito. Não sabem qual minha cor predileta e nunca ouviram falar da cidade onde eu nasci. É engraçado como a gente não precisa de muita coisa pra poder ser a gente mesmo. É simples, não é complicado. Sem armas, quase pelado.
Esqueci de mencionar os outros dois outros integrantes do bando: um meio alemão/meio bengali que fala português (hum?!) e um nativo de Frankfurt especialista em música clássica. Ouvimos Calypso, Leoni, Céu, Chico Buarque, Clementina de Jesus, Lenine, Olodum e metemos o pau no cd novo da Marisa Monte e na Rede Globo, tirando, claro, as novelas. Concordamos um monte e discordamos também. Aprendi umas coisas sobre a história da música na Alemanha de 70 a 90. Detonamos a Paula Fernandes e nem lembramos de ouvir Michel Teló. Uma pena =p .
Aí começa aquele processo de você querer ligar pros seus amigos pra eles também estarem ali e participarem da conversa e contarem uma coisa e lembrarem da música da qual você não se lembra. Aí você conta dos seus amigos para os novos amigos e os novos ficam querendo saber dos velhos. E você pensa na sua família e pensa como vai ser a sua própria. Imagina como seria se seus filhinhos estivessem ali. Tudo isso acontece em menos de meio segundo e por várias vezes. Como se fosse um pêndulo. Mas em nenhum momento a gente ficou triste: a gente só estava ali por estarmos longe do antes. Ou seja: tudo é bom.
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