Tem gente que adora rotina. Tem gente que odeia. Eu escrevo este post para dizer que mesmo ausente e imersa na minha curiosa rotina, ora caótica, ora espartana, não fico um só dia sem pensar e lembrar e relembrar de meus amigos queridos - para quem criei este blog.
É estranho. Eu queria contar tantas coisas e dividir, mas na hora de botar no papel parece que a energia não está lá aonde deveria estar e mesmo com tantas redes sociais, demanda um monte a comunicação com aqueles que amamos. Ao mesmo tempo, sinto uma enorme necessidade de ficar comigo mesma, quase que imersa em "condições ideais de temperatura e pressão". Isso vicia, mas não é por mal.
Desde cheguei em Frankfurt-Round-2, no início de Junho, o tempo voou. Meu cansaço é grande e tem dias que tenho a sensação que não fiz nada - "mas o que foi mesmo que eu fiz essa semana?" Há dias em que me acho um ninja, fico orgulhosa dos meus pequenos feitos e me sinto um pouco mais lúcida. Há momentos em que acho que toda a burocracia que enfrentei foi tão pouquinha e que foi mole, tomar doce de criança. Há dias em que tenho certeza que vou entregar os pontos. Agora porém, cheguei num ponto quase final. Uma hora isso tem que acabar! Pois é, estou quase lá.
Queria contar um pouco dessas peripércias. E nos entremeios ir lembrando de vocês, meus heróis.
Meu dia tem começado entre 6:30 e 9:00. O horário do meu despertar variou bastante nos primeiros dois meses. Só agora se estabilizou às 7:15 ou 7:30. E vocês sabem que não gosto de acordar tarde. 8:30 pra mim é quase a hora do almoço. Até porque há todo um protocolo a seguir de manhã, o que inclui ouvir trechos de duas novelas globais pela internet, tomar medicamentos, literalmente arrancar o Moinul da cama (esse se pudesse dormiria até as 10) e fazer o n.2. Está um super verão aqui, então agora não dá dó de sair da cama, o que também ajuda. Se começo às 9, provavelmente resultado de alguma peripércia do dia anterior (isso inclui uma caneca monster de cerveja, dormir muito tarde ou alguma comida punk), a coisa geralmente custa pra voltar pro lugar. Explico: gasto entre 2 e 3 horas por dia para fazer o meu dever-de-casa do curso de alemão. E isso sem estudar e fixar as palavras novas, que são muitas e são grandes. Se assim fosse, eu gastaria 4 horas numa boa. Nein, danke! Se acordo às 9 e gasto 40 minutos com meus protocolos matutinos (que agora incluem cremes para a pele), já são quase 10, somente 2 horas antes do meio-dia, quando eu tenho que preparar meu almoço, almoçar e talvez tomar banho para ir pra aula arrumadinha às 13:20. Há dias em que não dá tempo e como a escola é bem perto de casa, tudo bem. Débora vive me falando que eu tenho mais é que aproveitar, porque "quando a coisa ficar punk", não vou poder escolher acordar às 8:30... Sim, concordo com Milady, mas o ponto é que preciso da rotina. Da digamos "rotina ideal". Preciso dela porque me permite fazer as coisas do jeito que gosto e que me fazem sentir bem. Isso inclui uma manhã produtiva, com direito à banho gostoso antes da aula, almocinho leve, 2 garrafas de 750ml de água, expresso de manhã com um golinho de leite, vitamina porreta 30 minutos depois de acordar. Desse jeito, tenho energia para além do dever de casa, resolver pendengas burocráticas do everyday-life germânico, responder emails, ler e fazer coisas especialmente deliciosas de se fazer no verão daqui. Acho que Agosto tem sido fofo. Junho foi difícil. Eu, recém chegada do Brasil, uma avalanche de sentimentos e pensamentos sem mais pra onde. Julho foi puro recovering e Agosto... acho que Agosto tem sido fair.
Tem gente que fala que meu humor muda rápido demais. Sempre lembro disso. E claro, me lembro porque vejo o danado mudando mesmo. Não só ele, mas a autoestima, a confiança em si, a referência. O caos vem "facinho, facinho", basta uma palavra, um gesto. Tenho segurado as pontas. E claro, a presença de Debinha me ajudou muito. Cuidamos da auto-estima, fizemos compras de cremes e maquiagem. Uso tudo todos os dias - um avanço.
Os assuntos burocráticos estão quase no fim. Balanço parcial: uma certidão de casamento alemã e uma internacional, uma permissão de residência, uma de trabalho, três projetos de doutorado escritos e enviados, declaração fiscal. Ainda em andamento: certidão de casamento brasileira, seguro de saúde, procuração para venda do meu carro. Pendentes: passaporte novo. Prefiro não comentar quanto (€) tudo isso tudo custa, mas faço questão de acrescentar que isso significa em média três idas a cada órgão burocrático correspondente. Procurei fofinha usar essas oportunidades para treinar a língua. Quando conseguia, me sentia a tal e até fazia piada com o funcionário. E claro, você não tem que falar tudo certo, mas se tenta, se se esforça em falar, pessoinha te trata melhor, percebe que você está fazendo a sua parte. Típico.
Minha sempre companheira é minha bike, recém carinhosamente reformada por Moinul. Como sou preguiçosa pra fazer esportes, procuro pelo menos duas vezes por semana ir pro centro da cidade de bike. Se tenho algo a resolver por lá - e sempre tenho, é ela quem vai me levar. Gasto 40 minutos pra ir e 40 pra voltar. E claro, se fico cansada na volta, pego o trem e levo a bike junto. Ns trens urbanos e metrôs na Alemanha você vê de tudo: de gaiola de passarinho a bicicletas grandes e dobráveis, carinhos de bebês trigêmeos, noivas fazendo campanha pro casamento. Meus preferidos são os velhos - aqui eles andam de trem pra lá e pra cá, vão à Ópera e enchem a cara de vinho de maçã. Super paqueram nos mercados de rua, têm turma. No Kleinmarkt todas as quartas feiras, há uma espécie de feira de vinhos - a região do Reno é famosa por isso. O pessoal super bebe, fuma e conversa. Dá pra ver o fumacê de longe. As senhorinhas super maquiadas e bem arrumadas. Já fui umas duas ou três vezes e fiz uma amizade. É tipo o "Opção" em BH. A mesma coisa e as mesmas pessoas todos os dias. E é ótimo.
Ando muito de bike pelo meu bairro. Atrás da nossa casa tem um parque. Tem rio, banquinho e mesa de pique-nique. Patos e castores. Vi um castor nadando. Tive que confirmar na Wikipedia se era um castor mesmo. Um pato veio pro meu lado um dia. Putz, fiquei com medo, afinal meu Health Insurance ainda está em andamento...! Não posso levar uma bicada sequer.
rotina: s.f. Caminho utilizado normalmente; itinerário habitual.
ReplyDeleteFig. Hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo, mecanicamente; repetição monótona das mesmas coisas; apego ao uso geral, sem interesse pelo progresso.
quem ta aqui fora, e já deu um pulinho aí dentro, acha sua rotina massa! ;)
Débora, acho providencial quando vc parte pro Aurélio. Nada como uma pessoa das letras para obtermos uma solução digamos científica e pararmos de bobagem.
ReplyDeleteSinto que para a rotina ficar melhor ainda, vou entrar no mundo dos esportes. Será que dá pra visualizar?
baby, se servir de incentivo digo que a rotina que escolhi pra mim, a minha nada monótona repetição diária de atividades esportivas, saculejou a minha vida no bom sentido.... então tente.
ReplyDeleteGabrich, te conto que ontem andei 2 horas de bike! Com direito a frutinha antes e muita água depois. Pernocas duras como eu nunca vi!
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